quinta-feira, 14 de maio de 2015

Cadê você?

Cadê você aqui na minha cama ?
Cadê você para me dar segurança ?
Não está longe, não está perto
Distante como as areias do deserto

O espaço não se pode medir
No tempo não se pode interferir
Não importa a distância e nem o tempo
Você me completa em todos os momentos

Por vezes, me sinto sem nada
Uma sensação que me cala
Depois disso acontecer
Eu tento aprender

Solitário, eu e meus pensamentos
Me trazem os meus sentimentos
Tudo o que eu faço ou tudo que faria
Só tem um motivo, a sua alegria

Seguro, solitário ou mesmo ninguém
Não sei o que poderia acontecer
Se eu não tivesse você



Guilherme Taylor Gomes

quarta-feira, 6 de maio de 2015

5inco Minutos

Em mais uma de minhas várias solitárias noites, busco refúgio nos chats virtuais, procurando por um bom papo para passar o tempo. Infelizmente, todos do grupo de conversa que geralmente me conecto estavam offline, estranhamente, todos eles, há cinco minutos. Sabe aquela música que diz “festa estranha, com gente esquisita”? Essa frase desta música deve se adequar aos meus pensamentos em relação ao grupo e aos até então “companheiros”. Aplico essas características, de “gente esquisita”, a todos os grupos de conversa que já me vinculei, todos são tão diferentes entre si e esquisitos para mim, como conseguem uma convivência harmônica com tantas divergências? Enfim, se estivesse chegado há cinco minutos saberia o que aconteceu, mas até outrora teria que me aventurar em novos grupos.
Após alguns minutos de procura, acho outro bando de pessoas, que devem ser tão estranhas quanto eu, por estar em um desses grupos em um sábado à noite... Aquela monotonia de apresentação comum se repete várias e várias vezes, e lá estão elas, as gírias e abreviações...
 “Olá, como vai? Oi, td bem e ctg?”
Mas há de ser criado algo que eu odeie mais que essas gírias de internet, “td, ctg, vc, blz, vlw”, não há como manter a paciência, é como um código, outra língua praticamente... Até que então vejo uma luz, mas outras coisas me chamaram atenção antes.
                Uma das usuárias me interessa com a seguinte situação: ela se escondia por trás de uma foto da silhueta anônima, aquela foto padrão dos “sem foto”, escondida na obscuridade. Enquanto todos os outros não tinham o menor problema em me expor suas faces, por mais estranhas que fossem. Mas por trás daquela sombra, havia uma sutileza, uma escrita tão delicada, que fazia meu vocabulário parecer um ogro, se eu ousasse em comparar. Fiquei pasmo nas nossas primeiras palavras trocadas, acho que foi porque me encantei, mas ela não parecia do mesmo jeito, demorava minutos e mais minutos para responder... Será que eu à assustei? Fiz algo errado? Só Deus sabe... O que eu sei é que depois de eu ter praticamente me apaixonado por cada letra escrita por essa dama, algo ocorre. Caiu a internet? Erro no servidor? Não. Ela simplesmente foi embora. Sem um nome, sem um numero, sem um perfil do Facebook, nada. Só me restava o usuário dela, “Cacá520”. Mas era “Ca” de que? Podia ser Carla, Camila, Carolina, Catarina...
                Depois de uma semana me conectando, no mesmo horário, nos mesmos cinco minutos de atraso, que por total acaso, me fizeram achar a pessoa certa, bem... Achar e logo a perder, parece que iria continuar procurando a Cacá520 por toda a eternidade. Curiosamente, ninguém do grupo a conhecia, muito menos pessoalmente, ela era como um fantasma virtual, que aparecia de tempos em tempos para dar esperanças aos corações desconfortados que precisavam de carinho, nem que fosse um carinho através um lindo vocabulário intelectual e uma grafia delicadamente correta.
                Dias se passam, eu estou exausto dessa procura, mas não posso desistir. Nunca. Ela era uma de minhas poucas duas esperanças que o mundo não estava perdido, a outra era eu, pois eu nasci com algum propósito completamente diferente de qualquer um que vive nessa vida caótica de maneira monótona. Não que eu seja do tipo aventureiro, que vive a vida de maneira selvagem e corajosa, só não sou como eles.
                Decidi-me, iria mudar de estratégia, não estava a encontrando no obvio, terei que desbravar, novamente, o mundo virtual estranho. Chega de chats virtuais, vamos evoluir, existem milhares outros meios de comunicação. Iria achá-la em outro lugar. Como a única informação sobre a sua personalidade era, aparentemente, seu apelido, “Cacá”, junto com os números cinco, dois e zero. Tinham alguma relação? Bem, teria que procurar. Minha e única e aparentemente certa escolha foi o Twitter. Mesmo nunca concordando com aquela aperencia "feita para adolescentes", tantas "hashtags" e "tweets", eram coisas evoluídas demais para mim, de qualquer jeito, desistir não estava nos planos.
                Procurei e procurei, por horas, mas achar um usuário em específico em qualquer rede social é algo muito trabalhoso, pois independente de seu nome ser único e com a maior adição de "w", "y" e "k" possíveis, você achará inúmeros usuários com o mesmo nome. Dito e feito, milhares de variações de "Cacá520", como saberia qual era ela? Alguns com outros sem acento, variações da ordem numérica e outros vários, exatamente iguais... Até que então, apelei para as "hashtags" das "Cacás" do Twitter, algo pareceu muito estranho, a ordem de hashtags era a seguinte:

                Caca522:
                #você
                Cacá550:
                #não
                Cacá520:
                #desiste?

                Com certeza era uma mensagem dela. Ela sabia da minha busca insana, eu precisava dela, precisava sentir a doçura de suas palavras, o amor de sua escrita. Precisava! Enviei mais e mais tweets, o quanto foi possível. Fui dormir, minhas costas já estavam ficando corcundas, tudo isso me deixou quebrado, mas não tinha condições de continuar naquela noite, assim como meu notebook, que foi usado até ter seu teclado gasto, sua bateria "viciando"  e tudo já estava travado, e de mesmo modo teria que esperar a resposta de minha Cacá520. Só me restava a cama.
                No outro dia, acordo com a expectativa lá em cima, sonhei com sua face, mesmo que nunca tivesse visto nem mesmo a cor de um fio de cabelo seu, mas nos meus sonhos isso era o que menos importava. Ela era bela, de qualquer maneira.
                Fui logo conferir os tweets. Ela deveria ter visto, lido, me respondido, me dito seu nome, seu número de telefone, algo que pudesse nos conectar novamente. Ao fazer o "login" no site, não percebo nada de novo, certamente algo está errado. E sim, estava bem errado, nenhuma hashtag, nenhuma mensagem, nenhuma "cacá520", muito menos suas variações, não havia mais nada.
                Ainda tinha muitas opções, Facebook, Instagram, Blogger, mySpace... Mas pra bom entendedor, meias palavras bastam, tudo isso foi reto para o meu peito, chega. Chega de internet, chega de chats, chega de "Cacá".
                Viajei para a fazenda do meu pai, precisava mudar de rotina, esquecer aquela mulher e toda aquela insanidade que me tomou. Lá não havia nem um pingo de sinal de telefone, televisão, internet e se duvidar nem o rádio pegava. A solidão que nunca desejei para ninguém parecia o necessário para minhas dores naquele exato momento.
                Após alguns dias, tive que ir até a cidade mais próxima para abastecer novamente os armarios de mantimentos, ao me aproximar da zona urbana, vejo meu celular vibrando, como nunca vibrou, estava enlouquecido (só não sei se era ele ou eu). Vejo que são mensagens do WhatsApp, várias mensagens, de dias atrás.
                -Onde você está,querido? - Dizia a primeira das mensagens -
                Sinto falta de te ver oline, dia após dia, com sua foto esplêndida, seu sorriso torto sempre fazia o meu se abrir. Onde está você??
                Achei que teriamos uma chance de voltarmos a conversar, pensei que acharias minhas hashtags no twitter, sei que que não deve ser o seu estilo, mas... Tentei te achar...
                São esses vírus malditos, consumiram meu computador, não consigo fazer mais nada, minhas contas são apagadas e perco tudo, aparentemente, perdi você.
                Onde você está, querido?
Sei que irá me achar, então venha, volte para mim, enquanto nos resta algo que possa nos conectar, volte.
                A cada mensagem que via mais e mais lágrimas caiam entre meu rosto. Como pude?Eu desisti! Desisti da ternura, do carinho, do vocabulário... Entro em delírio só em lembrar na perfeição de ser humano, tal mulher deve ser.
               Liguei para o número imediatamente. "Fora de área de cobertura ou indisponível no momento" foi a única resposta que consegui. Aquele vírus, tudo foi aquele vírus, maldito seja! Conectei-me na "lan-house" mais próxima para encontrá-la. Sempre, em cada passo que dava, o vírus estava à minha frente, "conta bloqueada", "usuário indisponível" e os malditos "Você não quis dizer...". Mas existe algo, que ninguém iria pensar, somente minha amada. Algo tão rústico que ninguém ousaria voltar a usar e que o maldito vírus nunca iria se integrar. Sim! O Orkut! E lá estava ela. "Carlota Gonçalves lhe enviou uma solicitação de amizade", junto a um "Scrap" que dizia: "Aí está você, atrasado, como sempre, 5 minutos".

sábado, 2 de maio de 2015

Sr. Insano

 A pulseira é marrom, com detalhes prateados como a caixa. O fundo é preto, mas os números romanos e os ponteiros são dourados. E tem mais uma coisa que posso tirar de informação desse relógio: Eu estou 5 minutos atrasado.
 A ideia de colocar músicas no elevador nunca me agradou, e nesse momento ela só se mostra mais desnecessária. A diretoria está me esperando e eu estou aqui, ouvindo essa música. O pior: parece um toque de celular. Vou ter que demitir quem tomou essa decisão. Ou pedir para minha nova secretaria para fazer isso, que também deve estar me esperando la em cima para me conhecer.
 Cheguei. Despeço-me do elevador silenciosamente, mas com vigor, e vou andando até a minha sala. Na cabine perto de minha sala, onde deveria estar minha nova e primeira secretária, encontro uma carta com meu nome escrito com uma caligrafia ligeiramente inclinada. Não tenho tempo para ler nem para ter dúvidas. Pego a carta e entro em minha sala.
 Minha sala. A sala mais pontual do prédio, e nesse momento, a mais ironizada, com 3 relógios pendurados na parede: um com a caixa, números e ponteiros pretos e um fundo branco, outro com a caixa vermelha, fundo prateado e números e ponteiros dourados e outro todo cinza, mas com os números e as pontas nos ponteiros em um tom mais escuro. A ironia: seu dono está atrasado.
 No centro da sala tem uma mesa oval, e envolta dela estão todos os diretores da empresa, que me olham como se me tirariam agora mesmo do cargo recém adquirido, se tivessem coragem. Não nego, fazia menos de 1 semana que havia sido nomeado presidente e o ego já subiu no céu, mas eles vão ter que lidar com isso, e ninguém pode dizer que não foi merecido, dei duro para chegar até aqui.
 -Podemos começar.-Disse, ao me sentar, sem dar nenhuma explicação.
 -Nossas ações caíram...
...
 Estou sozinho em minha sala. Não consigo me lembrar das palavras exatas dos diretores, mas me lembro da cara de desespero deles querendo dar a volta por cima. Não é por menos, gastaram a saúde para juntar dinheiro, mas não terão dinheiro para recuperar a saúde.
 Tento pensar em outra coisa: minha namorada, em casa, fumando um cigarro e destruindo o figado com bebida. Depois que seus pais morreram, ela nunca mais foi a mesma... A carta! Tiro-a do bolso e abro-a.
 “Sr. Montana, gostaria de pedir desculpas pelo nosso desencontro, mas sei que no momento certo nos encontraremos
 -M.”
 M.? Li a carta, mas minhas poucas dúvidas multiplicaram-se e minha curiosidade é agora gigantesca. Ótimo. Como se já não tivesse muito com o que me preocupar. Ligo o meu computador e procuro na lista de funcionários cujo nome começão com a letra “M”. Encontro alguns, mas ninguém é quem eu estou procurando. Olho para o relógio do computador, com um fundo azul e os números brancos, e descubro que passei horas ali, pensando, lembrando e lendo. Me levanto e saio da sala.
 O caminho de casa é tão conturbado por pensamentos que os buracos na rua e o tempo passam despercebidos, coisa que sempre me altera. Como é a “M.”? Que horas ela estará na empresa amanhã?
 Chego em casa e sou recebido pelo fedor de cigarro e de cerveja. Maria, minha namorada, não está a vista. Tiro os sapatos, entro em casa e tento abrir a porta do quarto. Trancada. Vou até a cozinha e olho para o relógio, com a caixa, os números e os ponteiros pretos e o fundo azul. Na mesa, vejo uma garrafa de vinho pela metade. Não bebo há anos.
 Tomo um gole.
 Olho para o relógio.
 Não bebo há segundos.
 Dou um sorriso e continuo bebendo.
 Após um tempo, me canso da minha própria companhia e me levanto. Vou até a porta e começo a bater.
 -Abra isso agora, -digo, batendo com força na porta- abre agora, p...
 -Por pensarmos ansiosamente no futuro, eu e Maria nos esquecemos de viver no presente e acabamos por não viver nem no presente nem no futuro. -Eu disse, entre lágrimas, no seu velório.
 -As pessoas dizem que a mulher dele se matou- alguém cochichou.
 -Ele deve estar muito mal...
 Eu não queria ouvir. Os tic e os tacs dessas pessoas quebradas, com caixas coloridas mas com o fundo vazio. Relógios quebrados que não funcionam direito, existindo ali apenas para desvirtuar as pessoas de seus propósitos.
 Entrei no elevador e notei que ninguém entrou comigo, mas não me importei. Sem música. Agora, já sinto falta, pois nada é pior que esse silêncio. Acho que vou ter que demitir alguém por causa disso. Saio do elevador e vou direto para a minha sala, sem olhar para a cabine da minha suposta secretaria. Não estava pronto. Entrei na minha sala.
 Minha sala. Não, não mais. Essa é uma sala séria de alguém pontual. No centro da sala tem uma mesa oval, e em volta dela tem os diretores da empresa, que me olham como se eu não valesse a roupa que vestisse, e diriam isso se tivessem coragem.
 Antes que pudesse me sentar, eles se levantam.
 Estou no topo do prédio. Não lembro das palavras exatas dos diretores, mas me lembro do olhar de pena deles. Justo, estavam me afastando do meu cargo.
 Me aproximo da borda e olho para baixo. O caminho é longo, mas o tempo é curto. Vivi minha vida como se nunca fosse morrer, e agora morrerei como se nunca tivesse vivido.
 Coloco minha mão no bolso e sinto um papel. Nele está escrito:
 “Me abrace.
 M.”
 Agora mesmo.


 E dei um passo.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Às vezes

Ás vezes te odeio
outras vezes, te amo
Ás vezes sinto saudade
Outras, não quer te ver
Às vezes você me irrita
Às vezes você me mima
Às vezes você me enlouquece
Outras, você é o único remédio para minha loucura
Às vezes você é tudo
Outras, você é tudo, menos tudo
Às vezes, quero te beijar
Outras, quero que suma
Às vezes acho que tudo faz parte
Às vezes,acho que eu não faço parte
Às vezes
Em todos os momentos
E sempre
Tenho uma certeza
Amo como nunca
Como sempre
E quem sabe
Talvez
Para sempre.

Bia M. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Demorei pra enxergar...

Demorei pra enxergar, você nunca foi aquele alguém que eu sempre quis mas mesmo assim te inventava todo o dia como algo que eu queria, e agora encontro-me perdida por estas linhas.
Porque me devorar com esses olhos insanos e me fazer prisioneira da tua vontade? Serás que não sabe que não tenho em mãos a chave pra me livrar destas grades?
Sendo jovem ou não, o coração já envelheceu de decepções. Me decepciono todos os dias comigo, não vejo saída deste labirinto. E todos os dias contigo, que não me ajuda a escapar e cada vez me prende mais e mais dentro desse teu tão habitável olhar. E quero te olhar sempre mais, analisar e observar devagar, que é pra me arrepender nessa prisão, porque demorei pra enxergar, mas não dá pra deixar de te amar, mesmo que seja decepção, ainda é amor.

sábado, 18 de abril de 2015

Nós, passou

- Olhe para mim, por favor.
- Não consigo, eu juro.
- Se esforce, por favor.
- Não adianta.
- Não deixa eu sair daqui sem ver teu rosto novamente.
- Não fará diferença.
- Por favor... Por tudo que vivemos juntos.
- Não consigo, eu estou falando sério.
- Tudo bem, vou embora agora, mas eu sei o que está acontecendo aí dentro.
- Não sabe, tu nunca soube de nada que aconteceu aqui.
- Mas confesse, eu sempre tentei entender, mas tu sempre esteve na defensiva, nunca se doou plenamente.
- Não houve um só momento em todo esse tempo que eu quis ser assim, mas é difícil para mim, tu não entende...
- Me sinto triste por nunca ter compreendido, mas por favor, me dê mais tempo.
- Agora é tarde, não quero que tu entenda mais nada, teu tempo passou, nosso tempo passou.
- Não fala assim, eu não quero partir agora, o destino tem muitas coisas preparadas para nós dois.
- Acredito que tenha, mas distintas.
- Olhe para mim, por favor.
- Eu não consigo, eu juro.
- Tudo bem, vou embora agora, mas sei o que está acontecendo aí dentro.

26/12/14

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Penhorar

Minha esperança, penhorar
Minha meta, realizar
Minha arma, escrever
Meu objetivo, viver

Nossos poemas, nossos pensamentos
Não lhes deixarão ao relento
Cada dia, uma coisa nova
Um texto, um poema ou uma prosa

Penhoradores de textos
Em busca de uma razão
Lhe deixar leve, chegar nos seus sentimentos
Aconchegar seu coração

Queremos mostrar o nosso talento
Textos nos passam dor, amor e sofrimento
Entre outras sensações
Penhorando suas ideias
Iremos instigar suas emoções.

- Guilherme Gomes

terça-feira, 14 de abril de 2015

Indivíduo

Eu sei, eu sei, não tenho muito do que me orgulhar, não sou quem pretendia ser quando criança, nem uma pessoa agradável e de fácil convívio.
Em meio a multidão não me reconheço, posso ser qualquer pessoa e é disso que tenho medo. Continuo caminhando, olho para um lado, me viro para o outro, eu não sei pra onde ir, dou três passos para trás e me sento, meu rosto começa suar. Não me lembro de ser tão medroso. Os anos foram se passando e mais uma vez me vejo sem saída.
Começo então a observar todos a minha volta e, senhor, eu não quero ser  igual a eles, não mesmo.

Crescer acreditando que você é um ser iluminado que irá salvar o mundo e ser reconhecido pelo resto da vida, parasse divertido não é mesmo? Bem, no meu caso acabou em ''sou um ser frustado e invisível", trágico, lamentável.
Tudo poderia ser diferente? Sim, mas não mudaria o fato de que eu poderia estar em qualquer outro lugar do mundo fazendo o que a grande maioria faz diante das dificuldades: reclamar, reclamar e reclamar sem parar.

 - Carla Muniz

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Intensidade - Minha hóspede.

Busco um jeito de me expressar em palavras já que sou péssima no quesito sentir, então ou eu sinto demais, de menos, ou não sinto nada e acabou.
Sempre tive uma habilidade pra cortar qualquer coisa que um dia cogitou florescer. "Não vai ter planta, não vai ter árvore, nem equívocos e possíveis desilusões." É mais ou menos por aí. Acho que me encaixo em qualquer definição mal sucedida, sou uma espécie de projeto inacabado, no qual nem sempre estão trabalhando. Um negócio que quem sabe, com muita esperança, acabe bem, resulte em produção e lucro.
Fui criada em berço de espinhos e vivi com feridas abertas, cheia de certezas totalmente incertas, mas tudo bem, de tanto que morria de amores, de amor morri. E posso dizer: você ainda é o passado mais triste que nunca passou.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A mais pura madrugada

Se tenho sempre a razão
seria mais fácil eu não saber
quero esperar o anoitecer
a abraçar a solidão
nós não somos mesmo nós
além do mais nem é tão mal
acho que agora posso partir
e acordar deste sonho bom
as lágrimas se disfarçam
eu caminhando na chuva
nunca poderei te compreender
nunca poderei te esquecer
quero amar sem mais adeus
a viver o que não existe
sei que as vezes estou tão triste
mas isto ao menos faz sentido
já não tenho paz
e nem existe mais
um grande amor
só não quero te esquecer...


A Pauli

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Chuva Menina

Nunca aceitem bem os guarda-chuvas
eles nos impedem de molhar
gosto de senti-la úmida
escorrer em meu corpo
como uma lágrima em um rosto
pois, a chuva para mim é uma menina
e cada gota d´água cristalina 
seu beijo...

A Pauli

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Eu queria conseguir escrever sobre você

Poematizar nossos encontros, nossas conversas, nossos carinhos... 
Queria descrever, com as palavras mais leves, como gosto quando você brinca com as minhas mãos. 
Queria conseguir rimar os momentos que você me olha fixamente e as nossas piadinhas que só nós achamos graça.  
Queria lhe escrever uma música bonitinha como as que escutamos quando queremos lembrar um do outro. 
Queria traduzir em palavras a confusão interna que você me causa. 
Queria lhe dizer com a voz mais suave possível que você trouxe felicidade e que quero que permaneça. 
Queria descrever como me sinto feliz quando você confia em mim para contar suas histórias. 
Queria o poema mais bonito para descrever o seu beijo. 
Sempre calminho.

terça-feira, 31 de março de 2015

Âncora

Talvez um dia 
Todo o mal irá passar
Talvez um dia 
Eu volte a me encontrar
Quem sabe o tu
Possa ser meu futuro nós
Quem sabe assim
 Todos os meus nós
 Possam ser desatados
 Assim como meus sentimentos foram amputados
 Talvez, esse quem sabe seja mais um com certeza
 do que minha dignidade já foi vista como realeza

-Bluehair.

domingo, 29 de março de 2015

Cuidar de Si

Com inspiração no tema da próxima Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul, "Cuidado com o outro: Que diferença isso faz para a minha existência?", esse simples poema veio a nascer, partindo da ideia de o que realmente é o "Cuidar de Si".


É julgar o que fazer,
é zelar o que pensar.
Antes mesmo de fazer,
até mesmo após sonhar.

É preservar o seu melhor,
para o pior que o mundo tem.
Pois o pior cuidado
é aquele que não vem.

É continuar sendo você mesmo,
em qualquer ocasião.
Em casa ou no trabalho,
mantendo sua opinião.

É preservar todo o seu "eu",
físico ou mental.
Porquê mesmo até fingindo,
ninguém na vida é normal.

quarta-feira, 25 de março de 2015

A vida quer ser vivida.

As vezes nos deparamos com a vida. A danada bate de frente com a gente. E olhando assim, nunca havia reparado que ela está em todos os cantos.
Enquanto caminhamos achando que o destino está sempre nos levando para a frente e nos colocando na direção certa, estamos dando espaço ao esquecimento. Enchemos o peito e dizemos "deixa a vida me levar", rapaz, cante a tua felicidade! Ao invés de deixar a vida te levar, leve a vida contigo e espalhe os encantos dela por aí. 
A bad é gostosa, o se afundar também, mas nada supera a gargalhada que se dá quando o mundo conspira a teu favor.
"O que for pra ser será", é, talvez! Mas que tal abandonar aquela rua curta e asfaltada ou de paralelepípedos por uma estrada de chão? Aqui é realidade, meu amigo! Precisamos enfrentar os perigos do nosso caminho, suas curvas, desvios e buracos, inclusive as placas mal escritas. 
Todas as coisas presentes no universo são instrumentos, cada um precisa executar a sua função. Seja uma gota de água que cai no meio da seca, dando início ao alívio e a saudades dos rios que ali já correram ou um sol ouro grande e gordinho no céu, que não é apenas um enfeite de teto, como acreditamos, quando somos pequeninos e sonhadores.
Tua vida é uma companheira indispensável, que quer e precisa ser notada. Que está do teu lado desde o momento em que tu chegastes a este mundo caprichoso e vai partir contigo, quando chegar a hora de se despedir. Então, respeite o companheirismo que ela te oferece, aceite-o, brinde não por ele, mas com ele, seja alegre por ter recebido oportunidades e obstáculos, por poder aproveitar os mesmos e precisar encará-los, afinal, não se deve passar por cima deles, mas entrar em combate. Um bom soldado nunca abandona o campo de batalha, não é mesmo? E tenho dito! 
Há quem diga que não se leva nada desse impulso vívido, mas aquilo que possuímos durante nossa existência, diante de toda essa passagem, não é onde está nosso principal valor, nossa essência é ser, e só precisamos ser.
Para aqueles que seguem o seu Roteiro Único, é fundamental que não só tenham, mas que essencialmente sejam.
E que a vida seja pra ti, como ela deseja ser.


sábado, 21 de março de 2015

Se você me visse hoje, sentiria orgulho.
Parei com minhas manias estranhas que você tanto reclamava, larguei as más companhias, estou me alimentando corretamente, não arroto mais na mesa e até comecei a escrever! Eu ando saindo pouco, só saio para trabalhar e visitar minha mãe. Sim, eu estou dando mais atenção à ela, assim como você tanto pediu. As noites chuvosas me lembram você, assim como tomar chá gelado com pão de queijo. As vezes, faço o caminho mais longo para passar em frente a casa da sua mãe, algumas vezes eu paro e tento lembrar de você acenando para mim da varanda. 
Ainda não tive coragem de abrir novamente a caixinha que você me deu para eu guardar todas as nossas cartinhas, as vezes, eu penso em abrir, mas tenho medo das lembranças que guardamos lá.
Se você me visse hoje, sentiria orgulho.
Passei a prestar mais atenção no céu. Agora, já consigo perceber as formas nas nuvens, como você fazia. Fotografo a lua e penso em lhe mandar, porque sei o quanto lhe fascina. 
Se você me visse hoje, sentiria orgulho.
Aprendi a dar valor aos dias ensolarados e ao céu estrelado. Todos os dias, ao entardecer, vou até a biblioteca pública e escrevo durante horas, como você sempre fez.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Lua

Me ilumina.
Me sente.
Me enxerga.
Me guia.

Óh, lua. 

Te vejo.
Te quero.
Te chamo. 
Te amo.

Minha lua.

Não pense.
Não tente.
Não vá.
Não me deixe.

Não, lua, jamais. 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Questionamento ao Estranho Amor

"O que há de tão difícil no amor? 
É um mistério, um enigma?
E se não o temos em vista, como podemos tocá-lo? Afinal, podemos tocá-lo?
Pode se parecer com o ar? Já que o inspiramos, expiramos e por causa do mesmo, justificamos as nossas existências.
Dizem que tudo é amor (então que assim seja) mas será que poderiam esclarecer o que ele é, linha por linha, palavra por palavra?
Me contaram que pra essa coisinha (o tal de amor) não há solução e muito menos uma cura. Que ele é cheio de efeitos colaterais, hora é remédio e em seguida é a depressão, os dias escuros.
Conhecer o amor, aquele amor, aspirante a trazer a felicidade pro resto de nossos dias, é possível?"

Há um tempo, imaginei que o tal não existia, por que para mim as palavras expressam o que os olhos vêem e inclusive o que sentimos. Mas talvez não seja mais assim. Certa distância separou-me de conhecer o amor de pertinho, distanciei-me de seus dias compridos e alegres. Porém, algo me diz que ele continua aqui, esperando pra que eu o desperte de seu tão profundo adormecer. 
Enquanto isso, ainda me pergunto, será? Será que é o tal amor? Que bate na minha porta todas as manhãs, tardes, noites e madrugadas? 
Creio que não, sou tão pedra no presente, a ponto de que este, já foi morto tantas vezes. (Chegou a nascer, a crescer? A completar o seu ciclo vital?) 

"Sinto-me morta, preciso que me conte e me mostre mais sobre você, aqui é um lugar de almas tristes e perdidas, tão sem rumo, tão só quanto essas palavras. Não é o céu, não é a terra, não é nada, senão tudo."

Ouvi um barulho. Olhei pelo olho mágico e de repente, tudo estava ali. Abri a porta.
Preciso perguntar: vocês sabem quem é? Eu já sei. E acabei de o conhecer.
Seja bem-vindo,
amor. 

sábado, 7 de março de 2015

Uma prisão invisível

Me sinto sufocado.
Eu não sei, não sei, mas estou sufocado. Deve ser esse quarto, não aguento mais ele, passei o dia aqui.
Saio do quarto e nada muda, essa sensação continua. É agoniante e terrível. Deve ser as paredes e o teto. Só pode, essas limitações não me fazem bem.
Saio da casa e dou uma caminhada pela cidade. Droga! A sensação continua, parece até piorar, eu... Eu odeio isso!
Decido então ir até a praia. Cansei, o problema é o céu, o problema é o mundo. Ele é pequeno demais.
Logo na minha frente eu vejo um garoto sentado, com um caderno e um lápis na mão.
-Qual é o problema?- ele me pergunta, como se fossemos velhos amigos.
-É o céu, o mundo. Eles me sufocam, eles me prendem.-respondi com a mesma naturalidade.
Um sorriso velho se formou no rosto jovem do garoto.
-Não é o mundo, é a sua cabeça.-Ele fala, com uma voz carregada de experiência-pegue, isso vai ajudar.- disse ele estendendo o caderno e o lápis.
Antes que eu pudesse agradecer, ele levantou e me deu as costas. Eu olho pro mar, me sento e começo a escrever. A sensação de sufocamento passou, e uma de liberdade surgiu. Sorri, então, enquanto o lápis em minha mão corria pelo caderno.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Só eu e você

Luzes apagadas, nada de celulares, só eu e você. Após assistir o pôr do sol e conversar de coração aberto. Sua mão vem de encontro a minha lentamente e logo, sinto seu coração batendo junto ao meu. Não enxergo seus lábios, mas posso imagina-los curvados em um sorriso. Tudo que eu desejo agora é poder guardar esse momento em um potinho e carrega-lo comigo sempre. Me sinto completa, você me completa. Sinto vontade de lhe agradecer por isso, mas acho que não é preciso. Você é o único capaz de me entender sem eu precisar falar uma única palavra. Sinto você por completo e sei que não é mais um de meus devaneios. No momento que seus lábios tocaram os meus, senti poesia:

Alma flutuando nas nuvens

Coração completo
Leveza do seu toque
Para sempre em mim

Sorria ao me ver

Abrace-me com vontade
Diga que me ama
Minha alegria, será difícil conter

Sei que quando acordarmos, não lembraremos do momento exato que adormecemos e as lembranças não serão tão intensas quanto o momento. Mas ter a certeza de que quando eu acordar, você estará ao meu lado, me enche de alegria. Ter alguém como você, que me entende no íntimo, que me acolhe nas minhas piores tempestades mentais e me ama mesmo sabendo de todas minhas paranoias, é a melhor sensação do mundo. Termino esse simples desabafo com o clichê mais sincero da minha vida: você foi a melhor coisa que me aconteceu.

domingo, 1 de março de 2015

Mesmo depois de tudo

Mesmo depois de tudo, impossível dormir sem lembrar dos seus olhos negros me encarando, como naquela noite fria de inverno. Onde o frio só se tornou questão de opinião.

Era você, eu e o mundo. O nosso mundo, o mundo que queríamos, como queríamos, eu era o seu e você era o meu, era tudo mais simples, mais puro. 

Era impossível não observar suas curvas, mesmo sendo simples, eram belas. E eu ainda gosto de cada uma delas.

O seu cheiro era indescritível. Nem o aroma de todas as flores do mundo poderia ser comparado ao seu, minha querida.

Mas suas lágrimas, ah sim, elas eram destruidoras, destroçavam-me por dentro. Até nada sobrar. Até meu coração rachar. Até tudo acabar.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Indecisa confusão

Passei a noite em mágoas e apelos, escrita, músicas amargas, a alma submersa em água.
Meu sono virou bipolar e dono da razão, uma hora quer dormir, sonho mal, recebo como fruto, imbecis pesadelos. Então outrora quer chorar e a insônia conquista espaço, dura feito eternidade.
Pra mim, tudo que é em grande quantidade assemelha-se ao infinito. Provavelmente por isso acredito que o amor que é demais, nunca terá fim. Bobagem. Tolice pura e das mais ingênuas, mas como já dizia Zé Ramalho, "não existe saudade mais cortante que a de um grande amor ausente, dura feito diamante, corta a ilusão da gente." O cara sabe o que diz.

Nos resta a música, arte feita pro coração ter direito de escutar mais que os nossos ouvidos.

A música é o silêncio
Que me tapa os ouvidos
Que me tira desse mundo doente
Abafa os gritos dessa gente descontente
Que vive a mostrar os dentes.

No fundo, somos feitos de uma indecisa confusão.
LUTO! Ao meu amor próprio, que nem se quer pode receber a data de óbito correta. Partiu tão cedo, pobrezinho. Era surdo. Morreu. "Goodbye blue sky."

E hoje o mundo é triste,
e o resto dela também é.
Seu sorriso não mais existe
como agora ela quer

Perdi dessa vez, o amor a vida, difícil será reconquistá-lo...
...mas vou amar fazê-lo. E eis o amor novamente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Tic tac ando

     O tic do relógio
    O som das ondas no mar
    O tac do relógio 
    O som da sua respiração

    O tic do relógio
    Os passarinhos cantando
    O tac do relógio
    Você abrindo os olhos

    O tic do relógio
    Cheiro de bolo assando
    O tac do relógio
    Seu sorriso floreando 

    O tic do relógio
    O vento na janela
    O tac do relógio
    O som da sua voz

    O tic do relógio
    O mundo parou
    O tac do relógio
    Seus lábios nos meus

    O tic do relógio
    O dia floresceu
    O tac do relógio
    "Sou seu"

    O tic do relógio
    O coração parou
    O tac do relógio
    "Sou sua"

    O tic do relógio
    As mãos entrelaçaram
    O tac do relógio
    Juras de amor

    O tic do relógio
    Entregaram-se 
    O tac do relógio
    Eram um só

                   02/01/2015


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Infinitos Finitos

Todos nós já acreditamos que algo seria para sempre e que nunca acabaria, algo muito bom, ou até mesmo, algo ruim.

Uma paixão descontrolável e cega, que no nada se enxerga tudo, de repente se torna o seu infinito. Como isso poderia acabar? Não há o que possa domar tanto sentimento, isso nunca acabaria. Mas tão de repente como isso começou, isso acaba. E todo o seu infinito se acaba e da maneira mais impossível isso se torna só mais um dos finitos da vida.

Lágrimas que nunca curam, que cairão sempre, mesmo quando o sorriso tentar se erguer, elas estarão lá dentro para lhe fazer lembrar delas. Mesmo quando o pesado se torna impossível e carregar, quando a dor se torna insuportável, quando algo parece que não irá acabar, que aparenta ser algo infinito e eterno, um abraço resolve tudo. E todo o esse infinito se acaba e da maneira mais impossível isso se torna só mais um dos finitos da vida.

"Alguns infinitos são maiores que outros"

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Agora sou luz.

São 4 horas da manhã, de uma madrugada quente e insuportável, que está transbordando pensamentos e mágoas passadas e é tudo tão cheio de "e se...", malditos "e se..." infinitos.
Nesse momento, viro de um lado para o outro na minha cama, (me sinto como um bife a milanesa e dos ruins) logo cogito a ideia de levantar, beber um pouco de água, fechar a porta do quarto (tentando fazer o mínimo de barulho possível para que não acorde minha família, claro), acender a luz do quarto e ler.
A leitura pode me concentrar em coisas menos supérfluas e talvez menos vazias do que as que tem surgido nos meus recentes devaneios.
Já são várias noites baseadas em dormir 2 horas, ter no máximo um sonho do qual eu talvez me recorde no dia seguinte ou talvez não, acordar e passar as próximas horas entre olhos semiabertos, buscando um sono inexistente (apesar do cansaço inacabável) e esperando ansiosamente acabar caindo no mundo dos sonhos de uma forma mais pesada do que se tivesse ingerido diazepam ou clonazepam (vulgo rivotril). Mas isso nem sempre vem, então espero amanhecer, me sentir segura ao ver que o dia está começando outra vez, que tenho mais outro dias de "meias-insônias" pra viver e finalmente, com muita sorte (e talvez um pouco de reza) consigo o tão esperado efeito Bela Adormecida.
Agora estou tranquila, meus olhos se fecham, vou de encontro com um universo totalmente meu e posso ficar leve outra vez, esqueço de todo resto e o que me resta, é, sem sombra de dúvidas, saber que não vou acordar tão rápido, assim posso adormecer em paz.
E deixo dessa vez, a utopia me guiar.
Sonhei que ela me dizia, em alto e bom tom, como um guia pessoal...
"Tá na hora de largar o medo do escuro, menina
Acende a luz do teu ser
Te ilumina,
Estrela Guia
Procura a tua lenda
O teu pessoal
Tua melodia
Teu astral
Não ouse mergulhar nos rios
Águas amargas
Ressuscitam sem misericórdia
Tuas discórdias e mágoas
Busca no universo
Uma conspiração de amor
Siga pelo vale da mudança
Encontre teu valor."
Não acordei, mas estava aliviada, com a chuva em algum lugar, de forma tão mansa quanto o sono profundo que me veio dessa vez...
E então sorri. Já sabia o que fazer. E o que ser.
Agora sou luz.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Cinepoesia

                                              Luz.
                                     Câmera.
                                     Inspira.
                                     Ação.
                                     
                                 -Rei dos Poetas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Você vem?

Se você confirmar que vem, prometo preparar chá de pêssego e pudim. Me desarmarei das paranoias e quem sabe, até aceitarei assistir algum filme que você goste com você. Prometo que não deixarei nenhum grãozinho de arroz no prato e não te trocarei por um livro. Tentarei não usar o celular e não chorar quando você tiver que ir embora. 
Se você confirmar que vem, arrumarei minha bagunça interna e meu quarto. Arrumarei uma cama do lado da minha para você e não te deixarei dormir sem um beijo de boa noite. Farei de tudo para manter a paz, mas se eu perceber uma pontinha de irritação em você, darei beijinhos no seu olho até aparecer um sorriso no seu rosto.
Se você confirmar que vem, peço que venha com várias ideias para nossos teatrinhos, sinto saudades disso. Peço também, que traga tampinhas, porque nunca é demais. Ah, e se puder, traga maracujás também, adoro sentar na sua frente para comer. E não esqueça: me acorde com cocegas no pés como da primeira vez.
Se você confirmar que vem, precisarei lhe dar um aviso: o chuveiro continua o mesmo. Então, você terá que ter paciência ou ficará sem lavar as dobrinhas. Prometo não rir quando você se mostrar péssimo em algum esporte e fazer massagem nas suas costas. 
Se você confirmar que vem, lhe receberei com tranquilidade. Mas se você confirmar que não vem, me sentirei aliviada. 


Não volte
Mas volte
Volta e meia quero
Meia volta não quero.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Qual é o Seu Propósito ?

A vida cheia de propósitos
Milhares de cabeças rolando por negócios
Sem um sentido racional
Tentando igualar, o desigual

Aquela pessoa que você se apaixona
Que por "motivos", como uma bomba, solta a sua mão e te detona
Se acha que tem coragem, vai lá, solta
É, agora não tem mais volta

Qual é o teu ritmo ? Qual é o teu caminho ?
Prefere andar com alguém ou ficar sozinho ?
Estou aqui para te fazer entender
Que o caminho para a felicidade, é viver

Apaixonado ou não, com sua cabeça quase rolando
Pouco a pouco entendendo, o que está se passando
Agora me diz, sabes o que se passa contigo ?
Ou vive tentando se proteger do perigo ?

Acorda, o mundo é grande e você é pequeno
Ele te engole mais rápido que um veneno
Se tu é atingido por uma simples palavra
Imagina se fosse por uma bala

Ia cair de joelhos, sem saber o que falar
Clamando por Deus um lugar te arrumar

Guilherme Taylor Gomes.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Para Sempre

Raiva amarga,
que vem e que voa.
Destrói o pensamento,
tira toda a parte "boa".

Amor falso,
de sorriso torto.
um olhar vivo,
um coração morto.

Paixão repentina,
que não cabe no coração.
Te deixas tão animado,
Te quebras em aflição.

Versos tristes,
mente dividida.
No coração, 
só tristeza contida.

Você se foi,
me deixando perdido.
Eu caí no escuro,
precisava ter sumido?

Penso em você toda tarde,
nas ruins e nas boas.
Choro por você quando chove
e até quando vem garoas.

Você está dentro de mim,
e nunca mais vai sair.
Te guardarei para sempre,
porque um dia, me fez sorrir.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ela tinha seis anos de idade...

Ela tinha seis anos de idade, corria pelo campo de girassóis com um vestidinho semelhante à nuvens de diversas formas, onde toda sua leveza e delicadeza eram deixadas à mostra. O vento era minuano, o sol estava tão anômalo que mostrava a menina com um rastro de brilho intenso e tão volátil que por alguns instantes eu pude ter certeza de que algo maior envolvia-os, algo muito além de uma luz intensa, além de uma imaginação perfeccionista e irreal...
Atrevo-me a relatar o que senti ao ver essa cena: Senti o mesmo que o sol sentia enquanto tocava-a; a chuva passageira de verão que banhava meu rosto, chuva que fluía dos meus olhos nus; senti vontade de correr com a criança, vontade de não saber para onde ir, eu só queria correr. Foi então que me levantei e na medida em que eu ia correndo, o vento aumentava sua velocidade, a menina sorria e eu entendia o motivo do sorriso dela, pois era algo que tomava conta de mim também. Eu já não era espectadora, eu era parte da anomalia do sol, um rastro de brilho intenso correndo entre os girassóis.

 -Cassiele Fernandes

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Somos tão jovens.

Procurei o significado de juventude utilizando o dicionário virtual: http://www.dicio.com.br/juventude/, mesmo tendo uns 3 dicionários em casa, preferi fazer a busca pela web (ô preguiça do cão!), pois os jovens de hoje estão ocupados demais com suas “vidas sociais” mantidas através de celulares, através da internet, pra pegar aquele dicionário velho no fundo do armário. No entanto, a definição é um tanto quanto objetiva, declara juventude por “Parte da vida do homem entre a infância e a idade viril”, “Estado de uma pessoa jovem”, tecnicamente, seria certo afirmar que é a juventude, mas viver o “ser jovem” é bastante diverso.
Quando batemos de frente com definições pequenas como as citadas acima, mesmo sabendo que estão corretas, deveríamos tratar de associar de que assim como certas explicações não são totalmente satisfatórias, são curtas, diretas, a vida também é. Devemos fazer bom uso dessa, e quem faz a nossa vida somos nós. E nós somos jovens. Somos jovens de espírito, jovens de idade, jovens corações, temos nossos certos e errados, encontros e desencontros, amores e desamores, alegrias e tristezas, o vencer e o perder, o medo de não se encontrar, as vontades mais arrebatadores, o se arriscar, a dependência do outro, de si mesmo, temos tanta coisa. Temos tudo.
Ser jovem não é estar apenas encaixado em um período de tempo mas ter um pensamento rejuvenescedor diariamente e buscar mudanças, ter noção que o amanhã já vem e com ele nós estamos indo também, caminhando para frente sempre. Até nas madrugadas com os amigos, juntos na rua com aquelas marés de boas conversas, de bobagens, encontramos a nossa juventude, porque somos filhos desse mundo, porque rejuvenescemos a cada instante ao sermos felizes, ao nos  tornarmos mais amáveis, mais sábios, ao crescer, “virar gente”.
Ser jovem não é estar impedido de sofrer, é viver as dores e as euforias entregues pela vida, amadurecer, e mesmo assim, nunca perder o foco, seu entusiasmo. Afinal, fazemos o que precisamos fazer porque herdamos o entusiasmo, essa palavrinha com “e” deve habitar cada coração e cada cabeça, de forma que com ele nunca teremos motivos para regredir, precisaremos do que o mesmo nos proporciona pra chegar a um ponto X ou Y, não vale só achar o X da questão se não percorrermos um caminho. O caminho é a nossa dádiva. Ser jovem é caminhar, ser jovem é fluir, ser jovem é persistir, sonhar, machucar os pés na caminhada, ter dor nas pernas, levar pesos quase impossíveis de serem carregados, mas continuar, e continuar com o mesmo brilho nos olhos, aquele brilho de estrela Sirius.
Ser jovem é procurar pelos cantos e desencantos do mundo, pra descobrir que o segredo da coisa mesmo é: não deixar que levem seu entusiasmo, é acima de qualquer coisa, ser.
Termino esse texto com uma frase que tem agora, minha admiração: "Assim como gosto do jovem que tem dentro de si algo do velho, gosto do velho que tem dentro de si algo do jovem: quem segue essa norma poderá ser velho no corpo, mas na alma não o será jamais." Frase de: Marcus Cícero.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Se vicie em café, não se vicie em cigarro

-Ela me deixou.
-Por quê?
-Disse que não gostava mais de mim como antes, não entendo.
-Por que você não entende?
-Eu fazia tanto por ela. Nem era recíproco, mas eu não me importava, eu gostava dela.
-E você pensava ser uma convivência saudável com essa falta de troca?
-Não, mas eu não enxergava que eu já estava sozinho.
-Então você ganhou na loteria de ela ter ido embora.
-Eu ainda gosto dela, sinto a falta dela.
-Mas você acha que vale a pena ficar com ela?
-Não. Mas eu sempre fui carente.
-Estamos chegando a algum lugar. Vocês se viram alguma vez depois do término?
-Sim, mas não ficamos. Só eu fiquei... mal. Acho que não consigo lidar. Por que isso acontece?
-Porque você é dependente dela. É como cigarro e café. Ela é o cigarro, e o que você tem de fazer pra si mesmo, inclusive seguir em frente e sair disso, é o café. E o que você sente é como se precisasse fumar pra beber café. É a carência, o vício. A partir do momento que você largar o vício do cigarro, vão seguir em frente, viver melhor e, perceber que pra beber café não precisa de nada.
-Entendi. Mas e o vício do café?
-O café não é o que você tem de fazer? A sua vida?
-Sim.
-Então! Esse vício não faz mal, representa a paixão pela sua vida.
-E por que ela ainda me procura se não gosta mais de mim?
-Porque ela também é dependente. O cigarro dela é a vaidade. Nosso tempo acabou, nos vemos na semana que vem?
-Acho que não será necessário!
-Ótimo! Quando quiser, se precisar, estarei aqui, Bernardo.
AMOR. A palavra amor começa com A, que tem sentido de "contrário a", após temos o prefixo MOR, de morte, morrer, mórbido. Logo o amor é contrário a todo esse sentimento negativo.
Quando Bernando estava saindo do consultório, esbarrou em moça e a fez derrubar o café que estava carregando. Seus olhares penetraram um nos olhos do outro. Bernardo sentiu naquele momento todo seu vício negativo perdendo a pulsação, desaparecendo. E sentiu que não só nele nascia uma tal contrariedade.
-Me desculpe por isso!
-Tudo bem.
-Posso lhe pagar um café?


-Aurora

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Penhores

Olá, queridos leitores, hoje nós aqui do blog iniciamos uma nova era. Para dar jus ao nome de "Penhoradores de Textos" e mostrar outras mentes brilhantes espalhadas por aí, nós montamos nossa magnífica rede de "penhores", ou seja, para os nossos leitores que tem habilidades com textos, ou simplesmente criatividade com eles, nós estamos aptos a receber textos com todo o amor e postá-los com grande carinho.
Basta enviar sua belezura de texto (sim, belezura), para o nosso e-mail: penhoradoresdetextos@gmail.com junto com a assinatura que desejam. 
Nosso propósito é selecionar textos de alguns leitores para serem postados aqui no blog, assim, dando oportunidade para as mentes inquietas e criativas. Permita-se! Aceitaremos textos, contos e poemas.

"Nunca deixe que alguém te diga que não pode fazer algo. Nem mesmo eu. Se você tem um sonho, tem que protegê-lo. As pessoas que não podem fazer por si mesmas, dirão que você não consegue. Se quer alguma coisa, vá e lute por ela. Ponto final." - Will Smith - À Procura da Felicidade

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Amores

 É estranho pensar em todos os nossos amores. Alguns ainda machucam, outros nem chegaram a tentar nos fazer sentir mal. Alguns passam tão rapidamente que quando percebemos o quanto eles são importantes, já estão longe demais do nosso alcance. Há também aqueles amores que você tem toda certeza do mundo, "essa é a pessoa da minha vida", então elas e todo esse sentimento simplesmente lhe escorrem entre os dedos, somem.
Existem amores que nem chegaram a existir, a imaginação e todos os seus sonhos lhe fizeram acreditar que seriam perfeitos juntos, mas sempre tem um "ela nem deve saber que eu existo" passando pela cabeça para terminar tudo, antes mesmo que comece.
Alguns amores, mesmo que menos intensos, valeram mais que outros, mesmo que durasse só um sorriso ou um beijo, todo o sentimento de sentir-se amado será guardado, lembrado e relembrado por décadas. Amores que duram tempo demais, algo que não se precisa, tempo que não se repõe, que mal se sabe se realmente era de verdade ou somente o medo de sentir-se sozinho.
Para cada lágrima, haverão sorrisos. Pode doer, mas não haverá nada melhor que o seu, lindo, único e imperfeito amor.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

- Por favor, entenda... Há nós em tudo, principalmente em nós.
- Então, não deixe que os nós façam você esquecer que nós sem nós, somos nós livres.

                            "Nós"

Estou aprendendo a desatar nós.
Durante muito tempo, houve
Nós aqui, 
Nós lá,
Nós ali...
Vidas baseadas em nós.
Te peço uma coisa:
Não dependa de nós.
Quando os nós acabam,
Cadê nós?
Estamos sem nós.
Enfim, livres!
Agora, podemos desfazer os nós do mundo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Memorize já!

Se for pra falar de memórias já deve ser declarado desde o início o quanto é um assunto clichê para se escolher e dar um discurso, montar um texto ou seja lá o que você quer com isso.
De toda memória que se tem anda lado a lado uma história, uma lembrança sendo boa ou não. Associamos memórias com o nosso passado, logicamente. O que nos traz esse sentimento inigualável de saudade e nostalgia.
Saudade que dói, que geme na alma e preenche o peito, nostalgia que corre e relembra dos cheiros, dos jeitos e dos caminhos estreitos ou das ruas largas e das casinhas da infância. Dos brinquedos que incendiavam a imaginação ou de um amor de adolescente que faz todo jovem coração se sentir delacerado nem que seja por uma única vez.
Nunca se faz memória daquilo que não desejamos por perto, a gente chama logo de "lembrança ruim", não de memória ruim, memória é aquela coisa produtiva que a gente tanto quis guardar, que a gente "usa" pra guardar a vida num todo, também.
Estamos rodeados de gente que faz a gente, de sonhos que fazem a gente, de um passado que fez a gente. Tudo isso que se monta em um redemoinho de movimentos e acontecimentos, com estilhaços que um dia virão a se tornar memórias, memórias de um algo ou alguém, memórias de nós dois, de nós todos, desse infinito irreal ou desse texto memorável.
Não memorizemos as nossas tristezas. Por favor, deixemos as tinhosas bem guardadas no peito. Como um equilíbrio sincero que o corpo precisa, como nós precisamos deixar de lembrar.