Me sinto sufocado.
Eu não sei, não sei, mas estou sufocado. Deve ser esse quarto, não aguento mais ele, passei o dia aqui.
Saio do quarto e nada muda, essa sensação continua. É agoniante e terrível. Deve ser as paredes e o teto. Só pode, essas limitações não me fazem bem.
Saio da casa e dou uma caminhada pela cidade. Droga! A sensação continua, parece até piorar, eu... Eu odeio isso!
Decido então ir até a praia. Cansei, o problema é o céu, o problema é o mundo. Ele é pequeno demais.
Logo na minha frente eu vejo um garoto sentado, com um caderno e um lápis na mão.
-Qual é o problema?- ele me pergunta, como se fossemos velhos amigos.
-É o céu, o mundo. Eles me sufocam, eles me prendem.-respondi com a mesma naturalidade.
Um sorriso velho se formou no rosto jovem do garoto.
-Não é o mundo, é a sua cabeça.-Ele fala, com uma voz carregada de experiência-pegue, isso vai ajudar.- disse ele estendendo o caderno e o lápis.
Antes que eu pudesse agradecer, ele levantou e me deu as costas. Eu olho pro mar, me sento e começo a escrever. A sensação de sufocamento passou, e uma de liberdade surgiu. Sorri, então, enquanto o lápis em minha mão corria pelo caderno.
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