sábado, 31 de janeiro de 2015
Para Sempre
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Ela tinha seis anos de idade...
Ela tinha seis anos de idade, corria pelo campo de girassóis com um vestidinho semelhante à nuvens de diversas formas, onde toda sua leveza e delicadeza eram deixadas à mostra. O vento era minuano, o sol estava tão anômalo que mostrava a menina com um rastro de brilho intenso e tão volátil que por alguns instantes eu pude ter certeza de que algo maior envolvia-os, algo muito além de uma luz intensa, além de uma imaginação perfeccionista e irreal...
Atrevo-me a relatar o que senti ao ver essa cena: Senti o mesmo que o sol sentia enquanto tocava-a; a chuva passageira de verão que banhava meu rosto, chuva que fluía dos meus olhos nus; senti vontade de correr com a criança, vontade de não saber para onde ir, eu só queria correr. Foi então que me levantei e na medida em que eu ia correndo, o vento aumentava sua velocidade, a menina sorria e eu entendia o motivo do sorriso dela, pois era algo que tomava conta de mim também. Eu já não era espectadora, eu era parte da anomalia do sol, um rastro de brilho intenso correndo entre os girassóis.
-Cassiele Fernandes
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Somos tão jovens.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Se vicie em café, não se vicie em cigarro
-Por quê?
-Disse que não gostava mais de mim como antes, não entendo.
-Por que você não entende?
-Eu fazia tanto por ela. Nem era recíproco, mas eu não me importava, eu gostava dela.
-E você pensava ser uma convivência saudável com essa falta de troca?
-Não, mas eu não enxergava que eu já estava sozinho.
-Então você ganhou na loteria de ela ter ido embora.
-Eu ainda gosto dela, sinto a falta dela.
-Mas você acha que vale a pena ficar com ela?
-Não. Mas eu sempre fui carente.
-Estamos chegando a algum lugar. Vocês se viram alguma vez depois do término?
-Sim, mas não ficamos. Só eu fiquei... mal. Acho que não consigo lidar. Por que isso acontece?
-Porque você é dependente dela. É como cigarro e café. Ela é o cigarro, e o que você tem de fazer pra si mesmo, inclusive seguir em frente e sair disso, é o café. E o que você sente é como se precisasse fumar pra beber café. É a carência, o vício. A partir do momento que você largar o vício do cigarro, vão seguir em frente, viver melhor e, perceber que pra beber café não precisa de nada.
-Entendi. Mas e o vício do café?
-O café não é o que você tem de fazer? A sua vida?
-Sim.
-Então! Esse vício não faz mal, representa a paixão pela sua vida.
-E por que ela ainda me procura se não gosta mais de mim?
-Porque ela também é dependente. O cigarro dela é a vaidade. Nosso tempo acabou, nos vemos na semana que vem?
-Acho que não será necessário!
-Ótimo! Quando quiser, se precisar, estarei aqui, Bernardo.
AMOR. A palavra amor começa com A, que tem sentido de "contrário a", após temos o prefixo MOR, de morte, morrer, mórbido. Logo o amor é contrário a todo esse sentimento negativo.
Quando Bernando estava saindo do consultório, esbarrou em moça e a fez derrubar o café que estava carregando. Seus olhares penetraram um nos olhos do outro. Bernardo sentiu naquele momento todo seu vício negativo perdendo a pulsação, desaparecendo. E sentiu que não só nele nascia uma tal contrariedade.
-Me desculpe por isso!
-Tudo bem.
-Posso lhe pagar um café?
-Aurora
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Penhores
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Amores
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Memorize já!
Se for pra falar de memórias já deve ser declarado desde o início o quanto é um assunto clichê para se escolher e dar um discurso, montar um texto ou seja lá o que você quer com isso.
De toda memória que se tem anda lado a lado uma história, uma lembrança sendo boa ou não. Associamos memórias com o nosso passado, logicamente. O que nos traz esse sentimento inigualável de saudade e nostalgia.
Saudade que dói, que geme na alma e preenche o peito, nostalgia que corre e relembra dos cheiros, dos jeitos e dos caminhos estreitos ou das ruas largas e das casinhas da infância. Dos brinquedos que incendiavam a imaginação ou de um amor de adolescente que faz todo jovem coração se sentir delacerado nem que seja por uma única vez.
Nunca se faz memória daquilo que não desejamos por perto, a gente chama logo de "lembrança ruim", não de memória ruim, memória é aquela coisa produtiva que a gente tanto quis guardar, que a gente "usa" pra guardar a vida num todo, também.
Estamos rodeados de gente que faz a gente, de sonhos que fazem a gente, de um passado que fez a gente. Tudo isso que se monta em um redemoinho de movimentos e acontecimentos, com estilhaços que um dia virão a se tornar memórias, memórias de um algo ou alguém, memórias de nós dois, de nós todos, desse infinito irreal ou desse texto memorável.
Não memorizemos as nossas tristezas. Por favor, deixemos as tinhosas bem guardadas no peito. Como um equilíbrio sincero que o corpo precisa, como nós precisamos deixar de lembrar.